Lua em Touro
Cream / We’re Going Wrong (Alternate Version)
1967
The perfect song for 3 in the morning.
Trecho do filme “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo” de Marcelo Gomes e Karim Ainouz. Assisti ontem na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme é uma viagem poética pelo interior do Brasil, pelo interior do Nordeste do Brasil. As paisagens monótonas, a vida silenciosa e solitária, as falas curtas, sintéticas. A vida sintetizada em algumas poucas paisagens, falas, emoçoes contidas e silêncios. A vida para dentro do interior do Brasil. A vida econômica, a vida resumida. Por isso a necessidade de uma vida-lazer, como fala uma das personagens entrevistadas. Tudo o que não há no interior: a vida-lazer. Um filme que é uma espécie de retrato de Marcelo, que conheço muito e Karim, que mal conheço. As sensibilidades, a beleza dos detalhes, a aspereza, a solidão. Um filme de imagens e música. A música que cabe nos lugares, a música certa. Não a música que amo, nem, certamente, a música que eles amam mas, a música que cabe. As imagens possíveis. Um mergulho no interior que eu tanto odeio e pertenço ao mesmo tempo. Um mergulho na dor da separação. Da falta, do não pertencer a lugar nenhum. Um road movie sem aventura. Só a aventura de seguir vivendo e vendo.
Já perdi a conta das vezes em que te prometi mudar…
mudar de sorriso
renovar as lágrimas
reciclar os meus beijos…
Vagas promessas proferidas com os lábios feridos
por tantas palavras soletradas.
Atiro as palavras para o tapete
num duelo corpo a corpo entre o querer e o conseguir.
Mantenho a decisão com o pé bem fincado no chão
com medo de voltar a flutuar
quando sentir a brisa nocturna a roçar no meu rosto.
Perco-me no território de uma instabilidade demente
que se apressa a confundir-me o caminho
baralhando as linhas fluorescentes que marco no chão.
Não são inamovíveis…
mas deixam sempre um rastro luminoso
que posso seguir quando chegar a escuridão.
Fico satisfeita com pouco
na ambição desmedida não encontro o meu lema.
Quero apenas mudar…
mudar como prometi na noite
em que a parede fria de uma rua escura foi o nosso aconchego
e na boca ainda sentia o travo do teu último beijo.
- Daniela Pereira



