Trecho do filme “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo” de Marcelo Gomes e Karim Ainouz. Assisti ontem na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme é uma viagem poética pelo interior do Brasil, pelo interior do Nordeste do Brasil. As paisagens monótonas, a vida silenciosa e solitária, as falas curtas, sintéticas. A vida sintetizada em algumas poucas paisagens, falas, emoçoes contidas e silêncios. A vida para dentro do interior do Brasil. A vida econômica, a vida resumida. Por isso a necessidade de uma vida-lazer, como fala uma das personagens entrevistadas. Tudo o que não há no interior: a vida-lazer. Um filme que é uma espécie de retrato de Marcelo, que conheço muito e Karim, que mal conheço. As sensibilidades, a beleza dos detalhes, a aspereza, a solidão. Um filme de imagens e música. A música que cabe nos lugares, a música certa. Não a música que amo, nem, certamente, a música que eles amam mas, a música que cabe. As imagens possíveis. Um mergulho no interior que eu tanto odeio e pertenço ao mesmo tempo. Um mergulho na dor da separação. Da falta, do não pertencer a lugar nenhum. Um road movie sem aventura. Só a aventura de seguir vivendo e vendo.

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